A bucket of blood (1959) (US)

Esse filme não é assustador, mas é baseado numa história muito interessante e tem uma condução psicológica primorosa. A atuação do protagonista também ajuda muito pro efeito final.

É a história dum garçom. Um sujeito que não bate lá muito bem da cachola. É daqueles tipos que inspiram tolerância aos piedosos.

Ele trabalha num bar frequentado por artistas e seus admiradores. Passa a maior parte do tempo mais papeando com eles do que trabalhando. Seu chefe fica a todo momento chamando sua atenção pro trabalho.

Encanta-se com o estilo de vida que levam e vive ansioso pra estar do outro lado. Não os servindo, mas conversando como eles nas rodas do bar. Ele está visivelmente encanado em se tornar um artista também.

Todo artista tem sua arte. Ele só não sabe qual é a sua. E pra piorar seu drama, ainda tem consciência de sua condição mental. Afinal os perversos caçoam abertamente dele.

Eis aí um ponto interessante no desenvolvimento do filme. Apresentam um sujeito meio amalucado bastante afeiçoado a algo. Nesse caso é em se tornar artista. Aparentemente ele não está preocupado com que arte desenvolver. Pode ser qualquer coisa. Seu mais íntimo desejo é só pelo efeito social. E está loucamente decidido em ser como aqueles caras do bar. Só não sabe como ainda. É o ponto que costuraram pro próximo estágio do filme. Apresentam um personagem vislumbrado feito uma criança com um brinquedo novo. Depois desesperado pela sua dramática incapacidade em adquirir tal brinquedo. E finalmente ajoelhado pro rabo do Capeta disposto a qualquer coisa.

Isso é feito da seguinte forma. O garçom então retorna pra casa após o expediente. Assim que entra no corredor ao seu quarto, a proprietária do lugar pergunta se ele viu seu gato sair naquele dia. Aparentemente parece uma conversa corriqueira. Mas logo o espectador verá que não foi não. O filme não lançou nenhuma gorjeta até ali.

Ele coloca feijão enlatado na panela pra requentar e a seguir abre um pacote de argila. Põe-se a trabalhar bizarramente na massa com esperança de fazer uma escultura. Mas logo se estressa. Nada se forma. Se estressa mais ainda por ouvir o feijão derramando e um miado irritante de gato. Ele joga fora a pelota de argila que estava trabalhando e vai até o fogão retirar a panela. Volta correndo pra sala e esmurra a parede. O gato da dona da casa conseguiu ficar preso dentro da parede oca de gesso acartonado. Ele enfia uma faca com intenção de cortar o gesso, mas acerta o bicho em cheio na barriga e o mata. Após uma cena de lamentação ele vai dormir. Ao acordar tem uma ideia com o gato morto.

Na próxima cena do filme aparece ele mostrando pro patrão e sua namorada uma escultura que fez. É um gato de argila com uma faca também de argila espetada na barriga. O casal se impressiona com o realismo da escultura e o patrão consente em exibi-la em seu bar. À noite sua escultura faz muito sucesso no bar e ele ganha a tão desejada aceitação dos artistas do lugar. O patrão, meio com inveja de sua aclamação, diz pra ele ir embora mais cedo→ vá pra casa e faça um outro gato. Antes de sair uma das frequentadoras o intercepta na porta e o presenteia com um papelote de heroína. Ele não sabe que aquilo é droga mas aceita assim mesmo. Um policial disfarçado que os observava o persegue até sua casa. O garçom na maior ingenuidade permite a entrada do policial em seu quarto. O vidrinho de heroína está bem sobre a mesa da sala. O sujeito examina o conteúdo e depois lhe dá ordem de prisão. O garçom, no maior desespero, alega que desconhecia o que era aquilo. O policial não se comove. Chega mesmo a ameaçá-lo com uma arma, ordenando que o acompanhe até a delegacia. O filme, então, afirma o rumo de Terror nesse ponto. O garçom perde o controle e surpreende o policial com uma frigideirada bem no meio da testa. As próximas cenas mostram ele atordoado com a situação. Lembra-se das palavras de seu patrão→ vá pra casa e faça um outro gato. E então ele olha pro cadáver do policial e fala consigo→ mas eu não tenho outro gato.

A partir daí ascende sua escalada de assassinatos pra encapar novas esculturas em argila, enquanto sua fama de escultor também ascende na mesma proporção. Faz lembrar aquela observação do presidente→ o problema da mentira é que o sujeito passa a vida inteira contando novas mentiras pra justificar a primeira que contou. O filme é bem poraí.

É interessante como desenvolveram a psicologia do protagonista pra toda essa sua escalada de assassinatos. Um sujeito que se sente pressionado pra manter seu novo estado social. Qual será seu novo projeto?, alguém lhe pergunta. Ele responde o que os outros querem ouvir na sua maneira amalucada, mas horas mais tarde fala pra si mesmo→ o que é que vou fazer depois? o que é que vou fazer depois?. Antes ingênuo, agora ele começa a perceber que uma nova obra de arte significará mais um assassinato. No final do filme ele já está sem qualquer parâmetro do que é certo ou errado. A mensagem que passa é sobre o poder da sociedade em transformar certos cidadãos em psicopatas.

Esse filme foi influenciado com toda certeza por House of wax (1953).

Ficha
  • Assustador
    • Sim
    • Nao
  • Açao
    • Alta
    • Baixa
    • Monotono
  • Baseado em
    • Historia
    • Cena
  • Historia
    • Pioneira
    • Sofisticada
    • Saturada
    • Fraca
  • Elenco
    • Muito bom
    • Medio
    • Poderia ser melhor
  • Recomendaçao
    • Alta
    • Media
    • Baixa