Videodrome (1983) (CA)

A conversa foi movida pra lixeira ou pra TV?

Videodrome encontrou uma maneira inteligente de abordar a influência da TV sobre a sociedade sem apelar tanto pra conotações politiqueiras.

Poder de capital. As TVs em geral formam um seleto cartel. A razão econômica pro fato é que pra se manter uma TV em qualquer parte do mundo é necessário muito poder de capital. Uma vez que as elites (classes sociais com elevado poder de capital) do mundo todo se apossaram da TV na metade do século passado, elas apossaram por tabela do atributo mais importante pra perpetuação do poder: a formação de opinião.

Stephen King fez uma observação interessante sobre a TV. Algo mais ou menos assim: ... Não gosto da maneira como a TV enquadra a realidade. Só parece haver sentido aquilo que ela define como realidade. Não foram exatamente essas palavras. Mas o que ele parecia estar querendo dizer era que só é interessante o que acontece na TV, ou seja, apenas aquilo que ela toma por realidade. O que está fora do interesse da TV é como se não existisse.

O poder da TV não se limita em se definir o que é realidade e o que não é (ou mesmo o que é notícia e o que não é). Seu poder vai além. Quem nunca se surpreendeu com o poder quase que sobrenatural da TV em tudo quanto é assunto? Eleições, porexemplo. Sujeitos de quem nunca se tinha ouvido falar aparecem duma hora pra outra numa campanha presidencial como velhos conhecidos da população. E por mais incrível que pareça, ela consegue convencer. Ela consegue elegê-los presidentes.

Ou pelo menos, elegia... Na época em que Videodrome foi lançado a Internet só era conhecida em meios acadêmicos e militares. Hoje a juventude das camadas média e alta prefere se entreter mais na web do que em programas saturados de televisões. As TVs do mundo todo estão num acelerado processo de se limitarem exclusivamente às classes de baixo poder aquisitivo. Afinal, o acesso à Internet ainda é caro e requer tanto alfabetização quanto conhecimento técnico prum dispositivo computacional ser usado.

Na época do filme não. Naquela época a TV definia indubitavelmente o que era certo e o que era errado. Ela botava opiniões nas cabeças das pessoas. Toda aquela coisa de mensagens explícitas e subliminares. No filme tais mensagens eram codificadas nos sinais de raios catódicos.

Videodrome explorou justamente tal poder das TVs reais. O filme personificou a TV como uma criatura alienígena. Bastava um mero olhar pras gravações dum determinado video que se desencadeava automaticamente uma inusitada lavagem cerebral. O filme estava fazendo uma analogia da expressão "programa de televisão" com programa de lavagem cerebral.

Naquela altura ocorria um verdadeiro complô alienígena pra conquistar o mundo através dessas gravações. Naturalmente, quase que toda a sociedade desconhecia tal complô. A intenção dos alienígenas era dispersá-las em redes nacionais por meio do dono (o protagonista) dum pequeno canal televisivo.

O cidadão pra se curar não bastava apenas deixar de assistir TVs, ele precisaria fazer um tratamento. Havia um grupo secreto encarregado disso. O tratamento consistia em desprogramar o infeliz. Mas era difícil crer no complô e aceitar o tratamento, já que sob a influência do programa o cidadão não via mais a realidade tal qual ela era e sim uma forte alucinação. Obviamente, uma alucinação de acordo com os interesses dos alienígenas.

A história do filme tratou então da missão do protagonista em destruir o complô. O problema era que ele próprio já estava sob o efeito do video.

A sensação mais forte que esse filme causa é que é muito difícil escapar das garras da TV. E que ela tem um poder muito forte em formar uma realidade (ou subrealidade) somente sob o prisma de seus interesses.

Ficha
  • Assustador
    • Sim
    • Nao
  • Açao
    • Alta
    • Baixa
    • Monotono
  • Baseado em
    • Historia
    • Cena
  • Historia
    • Pioneira
    • Sofisticada
    • Saturada
    • Fraca
  • Elenco
    • Muito bom
    • Medio
    • Poderia ser melhor
  • Recomendaçao
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    • Media
    • Baixa